NINGUÉM É AMADO COMO GOSTARIA …

Lacan coloca a psicanálise do lado do insolúvel. Durante muito tempo, os analistas venderam a ideia da felicidade pela apreensão intelectual dos nossos dilemas. Lacan não apenas desfaz do nosso poder mental, como coloca tudo da nossa vida como uma tentativa de apreender o inapreensível. Quando amamos, achamos que apaixonamos pelo corpo, pelas ideias e pelos sentimentos do outro. Não é. Apaixonamos, porque encontramos no outro, alguém que, supostamente, vai suprimir nossos dramas existenciais. Não vai, porque, quanto a isso, nada e nem ninguém pode fazer qualquer coisa por nós. Até bem pouco tempo, a ilusão do amor camuflava bem nossos desesperos. Parece, que agora, nossos desesperos se sobrepuseram ao amor. Estamos completamente expostos aos nossos dilemas existenciais – e sem qualquer suporte cultural que nos dê um pouco mais de calma. Isto é bom? Por um lado sim. Perdemos tudo – e temos que nos reinventar. A questão é que o quer que venhamos a criar, não cobrirá os ossos a que estamos expostos. Qualquer amor que demandemos, não será correspondido como gostaríamos. No entanto, temos que amar, mesmo que o outro não queira o nosso amor. Temos que nos contentar com o amor que o outro pode nos dar. A parte do amor que ele nos limita, é nossa. Temos que ver o que vamos fazer com ela.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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