NÃO TROQUE SERES HUMANOS POR BICHOS DE ESTIMAÇÃO …

Winnicott foi muito importante para a clínica psicanalítica infantil. Ele cunhou a expressão OBJETO TRANSICIONAL. Esta expressão quer dizer do apego da criança por objetos como uma forma de amenizar suas agruras psíquicas.

Por que objetos? Porque na primeira infância a criança ainda não possui maturação psíquica para lidar com suas questões. A chupeta – por exemplo – é uma transição do objeto concreto para o pensamento abstrato. O certo é a criança ir abandonando, aos poucos, estes objetos para ir adentrando no mundo do mental.

Pode acontecer de muitos adultos apresentarem alguma dificuldade nesta passagem do mundo das coisas para o mundo do intelecto. Pode acontecer de muitos adultos permanecerem fixados nessa fase da solução pelo concreto. Podemos citar – por exemplo – as pessoas que são escravas do objeto álcool.

Winnicott pode nos ajudar a entender esta relação – complicada – que as pessoas vêm estabelecendo – hoje – com seus bichinhos de estimação.

É óbvio que o animal não é um objeto, e sim, um ser vivo. No entanto, não podemos comparar a relação humana com os bichos com a relação dos humanos entre si.

Com uma chupeta, um cãozinho pode facilmente ser manipulado para fazer todas as nossas vontades. Como uma toalha, um gatinho não nos questiona, não entra em conflito conosco e não tem o poder de contrariar nossas vontades. Ou seja, nenhum passarinho nos angustia ou nos deixa ansiosos. Enfim, conviver com essas coisinhas – fofas – não nos propicia fazer a transição do concreto para o abstrato.

A questão é que não é mesmo fácil conviver com pessoas. No entanto, só crescemos nas adversidades da convivência com os outros. Por que precisamos crescer mentalmente? Porque do que nos angustia não conseguimos resolver concretamente.

Não há dúvida de que podemos e devemos conviver com os bichos. No entanto, jamais podemos trocar a convivência com os humanos pela convivência com os animais.

Parece-me que é o que vem acontecendo. Muitos estão desistindo dos dramas típicos das relações interpessoais, em troca de relações totalmente impessoais com os animais domésticos. Isso é muito grave. Nenhum animal pode nos ajudar a lidar – por exemplo – com a solidão. Há o que é imprescindível da convivência com o outro para a nossa humanidade. Fiquei assustado com a notícia de um clube de sexo na Alemanha onde cada cliente pode levar o bicho que quiser.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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