NÃO ABRO MÃO DA MINHA PAZ INTERIOR …

Para relaxarmos precisamos encontrar os sons naturais do nosso corpo. Nossa biologia faz barulho: somos esses ruídos. Não somos o que pensamos. Pensar é infinito. Nunca estamos cem por cento certos do que pensamos. É por isso que nossa mente nunca descansa. Nossos barulhos orgânicos são sempre os mesmos: nunca mudam. Creio que a maior parte do universo é composto de sons – e não de pensamentos e palavras. Penso que só temos palavras aqui onde estamos. Nesse meu lugar, impensável, nada tem duplo sentido. Aliás, lá sequer existe sentido. Descansamos quem somos quando deixamos de prestar atenção ao que pensamos e focamos nos sons de depois de todos os nossos pensamentos. Precisamos esvaziar nossa mente de tantas ideias e preenche-la com os ruídos do nosso corpo. Não há nada nem antes e nem depois dessa nossa melodia física. Sou onde não penso – porque lá não me angustio. Por mais que eu tente, não consigo me conceituar. Não me conheço quando me abstraio de mim. Pensar sobre mim é me tornar insatisfeito comigo. Onde sou, sem pensar, não há mais nem menos, maior ou menor, melhor ou pior. Nesse lugar, as coisas são as mesmas desde quando nasci. É onde tenho o mais essencial de mim. Onde não reflito, não há necessidade de mudança – mesmo porque não posso interferir nisso que sou sem palavras. Isso que sou, está para além de mim. Isso que sou, só pode ser escutado e contemplado. Não consigo saber a origem desse meu eu que cantarola sempre a mesma nota. Ele é como a água que tomo e que nada tem a ver com a palavra água. A felicidade é retardada. Quem pensa é que sofre. Não deixamos de existir porque deixamos de pensar. Muito pelo contrário, passamos a existir – exatamente – quando silenciamos nossa mente. No silêncio, relaxamos, entramos em sintonia com o infinito de nós mesmos, nos libertamos dos nossos conflitos, das nossas dúvidas, dos nossos questionamentos, angústias e ansiedades. No silêncio de nós mesmos, apenas somos, porque lá não faz o menor sentido perguntar quem somos. No silêncio de nós mesmos, saímos do inferno e descobrimos o céu.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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