MUITO CUIDADO COM CERTAS MULHERES …

A falta é de cada um. É difícil saber o que fazer com o próprio desejo porque – quase sempre – o que fazemos não sai conforme gostaríamos. Também, porque o que fazemos – quase nunca –  sai de acordo com o desejo do outro. É por isso que tem gente que acha uma maravilha quando encontra alguém disposto a lhe dizer o que fazer e o que não fazer com seu desejo. Isso é bom? Não.

Temos que viver conforme o que queremos. Amadurecemos quando o que fazemos não sai de acordo com o que desejamos e quando o que fazemos não sai de acordo com o desejo do outro.

Viver o próprio desejo é aprender a gozar com o possível e a negociar com o gozo do outro. Desejar é estar em conflito. Amadurecer é viver o conflito.

No entanto, conheço pessoas que não querem crescer e preferem abrir mão do que desejam para se submeterem ao desejo alheio.

Curiosamente, tenho muitas amigas que fazem isto com seus maridos. São maridos machos – fisicamente – e muito femininos na personalidade: parecem bebezinhos à espera da papinha da esposa-mamãe. São mulheres que confundem maternidade com relação conjugal. São mulheres que vivem para controlar as vontades de seus maridos. Talvez, para que estes as considerem imprescindíveis – de tal maneira – que nenhuma outra possa lhes estar à altura de tão devotada esposa-mãe. São as chamadas mulheres crocodilos – porque devoram a autonomia de seus maridos  como garantia de nunca serem abandonadas.

Não tenho dúvida de ser isto um certo resquício de uma cultura machista em que a mulher precisa ter um homem como forma de visibilidade e respeito entre os seus.

No entanto, estas mulheres reclamam horrores dos seus maridos. Dizem que são incapazes – sequer – de comprar sozinhos uma cueca. Queixam de que são – sexualmente – pouco criativos. Reclamam que são largados, não se cuidam, bebem muito, não se importam com os filhos, passam o final de semana todo em frente à tv, não se importam com elas e não se implicam com os problemas domésticos.

São mulheres – quase sempre – exaustas, angustiadas, depressivas e ansiosas. Contudo, se consideram perfeitas e exemplos de mãe e esposa – ainda que o casamento não esteja indo muito bem.

São mulheres que abrem mão de seus próprios prazeres para viverem administrando os prazeres de seus maridos que, também, não vivem seus prazeres – a não ser de forma masoquista.

Enfim, só gozamos de fato quando não nos privamos e nem somos privados da nossa autonomia. Casamento é respeito e liberdade. Casamento é escolha e não submissão, domínio e prisão .

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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