É SEMPRE MELHOR NÃO TEMER A VERDADE …

Temos que ter consciência das desigualdades sociais? Sim. Ninguém sobrevive sem comer. No entanto, nossa consciência não termina onde começa a igualdade social.

Não é só consciência da igualdade social. Tem – também – a consciência existencial. Nenhuma sociedade – ainda que cem por cento igualitária – nos livrará do fato de que não sabemos quem somos.

Para as nossas desigualdades temos as armas políticas. Para os nossos enigmas existenciais, só podemos nos envergonhar. Envergonhamos porque não sabemos. Envergonhamos porque blefamos diante disso.

Não saber de si é ruim? Blefar sobre si é ruim?  Não, necessariamente. Podemos viver melhores se nos libertarmos da obsessão de tudo saber. Se não há o que pensar, há muito o que fazer. Se não há o que fazer, tomamos como sendo nosso – e seguimos.

Não temos que nos culpar das dúvidas de nós mesmos. Não temos que nos envergonhar por blefar onde não somos. Não se trata de um problema moral ou intelectual. É mais uma questão de se aceitar onde não se é.

Não há ser mais singular que aquele que toma para como sendo seu o seu osso de não saber de si.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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