BOM MESMO É GOZAR A VIDA …

Sempre associamos gozar com ejacular. Não é. Nosso gozo não é sempre tão gostosinho assim. Nosso gozo pode ser bem pior que isso.

Gozar tem – para a psicanálise – um sentido – também – negativo.

Qual gozo mais desejamos? Ninguém quer envelhecer e morrer. Ninguém quer perder seus amores. Ninguém quer ser contrariado ou rejeitado. Este é o nosso gozo. Portanto, ele não existe.

Não existe essa tal de eterna juventude e esse tal de amor para toda a vida.

Envelheceremos. Morreremos e perderemos pessoas queridas. No entanto, mesmo sabendo da impossibilidade de gozar a vida, não desistimos. É nesta insistência que blefamos.

É por isso que não gozamos. Aliás, só sabemos gozar de blefar do que não nos possível.

Foi para isso que Freud inventou a psicanálise. O divã foi criado para nos ajudar sobre o que vamos fazer com isto que nunca existiu – e que não desgrudamos.

Só sabemos viver entre o nada do gozo e a busca de um gozo inteiro.

Insistimos em nos plastificarmos para negarmos que estamos envelhecendo. Não seremos eternamente jovens. Ninguém é imortal. Nunca seremos amados como gostaríamos.

Você quer gozar da sua beleza? Você quer gozar da sua eternidade? Você quer gozar do amor dos seus sonhos? Não queira porque você não vai conseguir.

Não sabemos usufruir da vida. Só sabemos usufruir de uma vida mentirosa.

Gozar é saber o que fazer de um gozo que não existe: espera-se que façamos bem feito.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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