A VIDA É BIPOLAR …

Temos diferentes explicações para existir. A religião nos diz da eternidade. A ciência nos diz da fonte da juventude. A psicologia nos diz de um suposto equilíbrio emocional. Estamos no polo da alegria quando nos iludimos com todas essas explicações.

Ocorre que a realidade nos joga contra todas essas ilusões.

Somos mortais. Nossa beleza tem data de validade. Fora nossos acasos sentimentais, ainda temos as inevitáveis doenças e perdas que teremos que enfrentar.

Caímos no outro extremo da alegria quando a realidade bate à nossa porta. De quem é a culpa? A culpa é da cultura que polariza nosso viver em momentos de intensa felicidade e de intensa tristeza. Ora temos tudo, ora temos nada. Ora estamos eufóricos, ora estamos melancólicos.

Não era para ser assim. Tem saída? Sim. Qual é o segredo? Construir o contentamento abraçando o descontentamento.

A vida se encarrega do nosso envelhecimento independentemente da nossa vontade. Sofremos porque esquecemos disso. Somos ingenuamente arrogantes.

Nenhuma alegria pode ser verdadeira separada da tristeza. Não se trata de uma contradição a ser resolvida.

O grande desafio é incluir o oposto sem desequilibrar o todo. O segredo é olhar para a finitude com a mesma serenidade que olhamos para a vida. O caminho é se ver no futuro sem a nostalgia do presente. Como? Esse embaraço é de cada um. Alguns dão conta e outros não.

É preciso saber que nenhuma felicidade pode ser – minimamente – verdadeira fora de seu contraditório.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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