MELHOR AGIR SEM PENSAR …

Qual a diferença entre pensar e agir? Agir é bem mais interessante. Pensar é previsível. O agir é sem garantias. Há quem se escravize em conceitos, teorias e doutrinas. Há quem se liberte em ato e permitindo-se fluir.

O pensar adoece. O ato cura. Podemos nos perder de nós mesmos enquanto agimos. Impossível deduzir as sensações que experimentamos ao nos tocar. Nosso corpo é quase só o que pensamos dele. Aliás, neste caso, pensar apenas serve para recalcar o que sentimos.

Definitivamente, a verdade não é o que pensamos, mas o que fazemos. O pensamento é hipócrita e mascarado. Ao agir, revelamos, de fato, quem somos. Se começarmos a nos tocar poderemos estimular certas zonas absolutamente incompatíveis com o que pensávamos sobre nós mesmos. Deve ser por isso que tocar o próprio corpo foi considerado um ato condenável por tanto tempo. Posso viver um turbilhão de sensações quando me toco, quando toco alguém e quando me permito ser tocado por alguém.

Em ato tudo é possível. Somos mais de um enquanto pensamos e apenas um enquanto agimos. Ninguém mente agindo. Inventamos o público para pensar e a intimidade para agir – para o bem ou para o mal.

Não deveríamos envergonhar-nos de nossos atos – exceto quando não são para o bem. O que fazemos é o que temos de mais nosso. O bom do ato é que nunca saberemos onde ele vai dar. Em ato, somos. Em palavras, nos recortamos. Deve ser por isso que a matemática é muito mais estimulada que a arte. O teatro é atuação. O ator entra em cena. A arte escancara. A palavra esconde. Ver, estimula a fazer. Qual o problema quando é por amor? Prefiro muito mais os artistas que os intelectuais. A arte tem mais vida. O intelecto é frio, pedante e chato.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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Um comentário sobre “MELHOR AGIR SEM PENSAR …

  1. Gaio Fontella, psicólogo, psicanalista. disse:

    Tomado, primeiramente, pelo significante atuação, à princípio como uma apologia não simbólica, me pareceu paradoxal vindo de um psicanalista. Porém, desconstruindo , como percebo que fazes, me levou pro campo da criação, da força de potência nitzchiana. Então, sinto que pode ser gozo, sem sofrimento, sem escravidão à letra. Obrigado.

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