SÓ SABE AMAR QUEM SABE FAZER POESIA…

Não deveríamos nos deixar influenciar pela filosofia e pela ciência quando estamos amando.

Até conseguimos imprimir uma rotina em certas coisas. A questão é que não somos só o que exibimos. Por fora, vivemos de reproduzir papéis. Isso é tanto verdade, que as divergências surgem – exatamente – quando resolvemos compartilhar nossa intimidade.

Por dentro, ninguém é regular. Por dentro, não há matemática que sustente. Por dentro, há razões que a própria razão desconhece.

Deve ser insuportável a um obsessivo viver para impor alguma regularidade aos seus sentimentos. Ninguém suporta um arrogante que acha que sabe tudo sobre o amor.

Para amarmos, temos que dar conta do outro não como se ele fosse filosofia ou ciência. Por fora, até há alguma lógica. Por dentro, é quase só contradição – e só a poesia dá conta do contraditório.

A poesia junta tudo em um mesmo verso. Na poesia, dois mais dois pode ser cinco. Para a poesia não existe o certo. Para um poema, nada é impossível.

Portanto, só ama – de fato – quem sabe fazer poesia. Só a poesia tolera. Nesse nosso tempo, parece que o amor virou uma mera questão técnica.

Estamos virando máquinas de fazer amor. Estamos nos objetificando e perdendo nossa humanidade.

Viver é onde todos os opostos são possíveis. Fazemos poesia desses opostos ou enlouqueceremos nos fluxos inevitáveis que compõem o nosso viver.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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