QUEM DISSE QUE NÃO EXISTE PAZ INTERIOR?

Nada e nem ninguém pode nos livrar das certezas que carregamos. Por isso, fingimos amar, saber, ter e gozar da vida. Vamos dizendo que somos amados para não nos depararmos com a certeza de que um dia – seguramente – não teremos mais esse amor. Lidamos com o que possuímos como se em algum momento não fôssemos ter que deixar tudo isso para trás. Sofremos com o inconstante porque fingimos uma regularidade que não existe. O depressivo desistiu de fingir – mas sem saber o que fazer com a vida real. A vida é uma grande mentira boa – até que a realidade venha ao nosso encontro. É possível viver sem fingir? Os orientais dizem que sim. As palavras mentem – tanto que não abarcamos a realidade quando falamos ou escrevemos: por isso não cansamos de repetir. Podemos viver sem intelecto e sem emoção? Sim. Somos, o tempo todo, atravessados por um vácuo que equivocamos, quando fingimos não existir, entupindo-o com palavras e emoções. Ocorre, que esse vácuo não é pura negatividade para os orientais. Ou seja, há um jeito de enfrentar o vazio das palavras e dos sentimentos sem fingir e sem morrer de medo. Penso que a natureza nos deu esse nada para vivenciamos a experiência do mais absoluto desprendimento e da mais absoluta entrega. Isto é fingir? Não. Isto é poder antever uma verdade que, seguramente – seremos um dia: um dia seremos um infinito de puro silêncio: sem corpo, sem pensamento, sem voz e sem sentimento. O que seremos? Não sei. Talvez, a paz.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s