PRECISAMOS VIVER MAIS E JULGAR MENOS …

Sofremos porque queremos compreender nossas emoções. Emoção não é para ser compreendida. É por isso que o autista se joga contra a parede: ele quer e não consegue pensar sobre o que se passa com ele. É por isso que o passional agride: ele está cem por cento certo do amor do outro por ele. Emoção não é razão. Emoção não tem razão. Emoção não tem conotação moral. A emoção é débil. Não conseguimos objetivar nossas emoções. Emocionar faz parte da vida. Sofremos, porque hierarquizamos nossas emoções. Julgamos a tristeza como sendo um transtorno e, daí, nos transformamos em um problema científico. Viramos combatentes da tristeza – como se fosse possível uma alegria permanente. Não deveríamos nomear nossas emoções. Parece que ficamos mais deprimidos ainda, quanto mais tentamos entender a depressão. Emoção é para ser constatada, aceita e vivida. E se ríssemos das nossas tristezas? E se fizéssemos poesia das nossas dores? E se déssemos conta das melancolias como parte constitutiva do nosso existir? E se déssemos conta de que há um tempo para tudo? E se tomássemos o que nos amedronta com toda a humildade que nos cabe e como quem não pode tudo nessa vida? E se tomássemos o que nos aflige como um motivo para procurar nossos amigos esquecidos? E se tomássemos o que nos angústia como um motivo para ajudar alguém que anda sofrendo muito? Damos conta? Não? Contudo, tentar entender – também – não é a solução.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s