POR QUE TRAÍMOS?

Traição não é uma questão de caráter, índole, hereditariedade, genética ou influência do meio. Todo relacionamento parte de um acordo – ainda que subentendido. Vale o consentimento. É por isso que é considerado crime a prática da pedofilia, da necrofilia e da zoofilia. Criança, cadáver e animal não têm capacidade para consentir. Contudo, há quem não quer ser traído e há quem não trai. No entanto, não há quem não possa ser traído – porque ninguém é completo. É por isso que os casais brigam. Muitos separam. Alguns até se matam. Ninguém tem tudo. Ninguém é inteiro. As pessoas não são iguais. Há outras silhuetas. Há outros cheiros, texturas, tamanhos e pesos. Há outros modos de sentir, viver e pensar. Há outras químicas e outras pegadas. A vida é diversa e os prazeres também. Há quem se contente com apenas um. Há quem necessite de mais de um para se sentir completo. Há quem dê conta de resolver só pela imaginação. Há quem use de filmes, fotos e outros apetrechos sexuais para compensar o que falta na hora da transa. Há quem necessite praticar para não enlouquecer. Não podemos condenar quem trai – exceção para os casos de não cumprimento do acordo, ainda que tácito. Não podemos condenar quem não se importa em ser traído. O desejo possui múltiplas formas. Cada casal escolhe a que melhor lhe aprouver. Vale – sempre – uma boa conversa. Se for para o bem de todos, que mal há?

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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