POR QUE SÓ FICAR E NÃO MAIS NAMORAR?

No namoro, o outro pode nos dar ou negar o seu amor. Não existe relação sem alguma frustração. Não seríamos humanos se não fôssemos diferentes. Na verdade, o amor só faz sentido entre desiguais: não acredito em alma gêmea. Não há amor entre iguais. Se assim fosse, o amor seria sempre o mesmo e o casal – certamente – ficaria enfarado de tanta rotina. A questão é que estamos em um tempo da mais completa intolerância. Só conseguimos tomar a diferença como ódio, loucura ou histeria. O problema é que julgamos essa diferença apenas no outro – como se fôssemos tudo de regularidade emocional. Não somos. É por isso, que a preferência, hoje, é mais de fazer pegação do que de se relacionar. Ao coisificarmos o outro, eliminamos a sua humanidade e o transformamos em um objeto todo disponível ao nosso prazer. O problema é que na medida em que fazemos assim com o outro, damos o ponta pé em uma cultura onde as pessoas só se pegam. Certamente, essa cultura nos retornará, com o outro fazendo conosco o mesmo objeto que fazemos dele. E quando não servirmos mais como objetos? E naqueles nossos momentos de vulnerabilidade onde um ombro amigo vale mais que qualquer beleza ou riqueza? Do jeito que a coisa está caminhando, certamente, seremos colocados em uma casa de repouso ou enlouqueceremos ou, para piorar, não resistiremos em dar continuidade à vida.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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