POR QUE NUNCA ESTAMOS SATISFEITOS COM O AMOR DO OUTRO?

Estamos – o tempo todo – no terreno do mais. Por isso, nunca estamos satisfeitos. Por isso, reclamamos o tempo todo.

Poucas vezes nos sentimos satisfeitos com o que temos. Essa insatisfação deriva do fato de que queremos muito mais do que achamos que queremos.

Não vivemos no campo do que temos e podemos. Vivemos no terreno da impossibilidade. Por isso, amamos demais. A questão é que quanto mais amamos, mais perto ficamos da nossa incompletude.

Muitos enlouquecem em busca disso que nunca é. Quem quer tudo não quer nada – porque tudo não existe. Nem a religião pode com esse tudo. A ciência blefa diante dele. A filosofia não sabe o que está por trás do detrás.

O tudo é a completude. O tudo é a fonte da juventude. O tudo é a eternidade. Ocorre que apenas dizem que ela existe: ninguém nunca voltou para confirmar.

Enquanto isso, vamos vivendo da ilusão de que podemos tudo. O que não podemos é levar essa ilusão a sério porque a ilusão do tudo é a verdade do nada.

Quem quer o maior amor do mundo, na verdade, não quer amor nenhum porque não suportará o que –  da vida – nem mesmo o amor é capaz de dar conta.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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