POR QUE NUNCA ESTAMOS SATISFEITOS COM O AMOR DO OUTRO?

Estamos – o tempo todo – no terreno do mais. Por isso, nunca estamos satisfeitos. Por isso, reclamamos o tempo todo. Poucas vezes nos sentimos satisfeitos com as trocas que fazemos. Essa insatisfação deriva do fato de que não queremos apenas o que achamos que queremos quando trocamos. Queremos sempre muito mais. Não vivemos no campo do que temos e do que podemos. Vivemos no terreno da impossibilidade. Por isso, comemos além da conta. Por isso, amamos demais. A questão é que quanto mais amamos – com a intenção de nos sentirmos completos – mais nos expomos à nossa incompletude. Muitos enlouquecem em busca disso que nunca é. Quem quer tudo, no fundo, não quer nada – porque tudo não existe. Nem a religião pode com esse tudo. Nada pode com esse tudo. O tudo é a fonte da juventude. O tudo é a eternidade. Ocorre que apenas dizem que ela existe: ninguém nunca voltou para confirmar. Enquanto isso, vamos vivendo da ilusão de que ela possa existir. O que não podemos é levar essa ilusão muito à sério. A mesma ilusão do tudo é a mesma ilusão do nada. O amor pleno quer contornar o que do amor é incontornável. Quem quer o maior amor do mundo, na verdade, não quer amor nenhum – porque não suportará o que da vida nem mesmo o amor é capaz de dar conta.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s