DEVERÍAMOS SER LIVRES PARA TRANSAR COM QUEM QUISÉSSEMOS …

É complicado quando querem delimitar quem você pode beijar, quem você namorar e com quem você pode transar.

A lei não deveria vir sobre o desejo. A lei deveria vir sob o desejo. Primeiro o desejo, depois a lei.

A lei é racional. É uma imposição. O corpo é mais que a lei. O corpo transborda à lei.

A sexualidade não tem simetria. Nosso desejo não deveria ser assim ou assado. A lei deveria ser como melhor aprouver à falta de cada um.

Deveríamos poder gozar de um prazer sempre imprescritível. Deveríamos poder gozar como quiséssemos.

O corpo não é para ser compreendido. O corpo é para ser vivido.

É por isso que tantos adoecem, comem demais ou desistem de viver: é o corpo se rebelando contra seus recalques.

Fracassará toda e qualquer tentativa de adaptação do corpo à qualquer regra.

O desejo é inadaptável. O desejo é revolucionário. O desejo é a arte.

A falta é de cada um. Sou o meu desejo que nunca é. É só meu o meu modo de preencher o que me falta. O que me falta só diz respeito a mim. Meu desejo é o que tenho de mais meu – porque não há outro – a não ser eu mesmo – o senhor único do meu próprio desejo. Portanto, vou sendo, não na medida da lei, mas na medida do acho que mais me completa.

A regra regula e congela. O desejo desafia, cria, inova, inventa e revoluciona. Não é – quem só faz de acordo. Só é – quem faz de acordo com o que melhor lhe preenche.  Só é – quem faz vindo de dentro. Só é – quem é fiel a si no que se tem de  mais íntimo.

Cabe ao meio apenas acompanhar os seus – de longe – no modo como estão inventando sobre seus desejos. Cada um se configura como quiser.

Só cabe intervir quando o desenho de cada um pretender esgotar toda a falta de si. É a falta que nos move em toda a nossa liberdade. Sem a falta, violentamos, matamos e morremos. Nunca é demais lembrar que tudo é – também -nada.

Só vale intervir sobre as formatações que carregam em si alguma intenção de esgotar tudo de si.  Só vale intervir sobre as formatações que querem destruir a própria liberdade de continuar querendo.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

Um comentário sobre “DEVERÍAMOS SER LIVRES PARA TRANSAR COM QUEM QUISÉSSEMOS …

  1. Ranny Batista disse:

    Um tema forte, adorei os argumentos e não sei porque as pessoas tem vergonha de falar sobre este tipo de assunto, não é da conta de ninguém com quem eu transo ou deixo de transar, será que não podemos ser livres nem para escolher com quem queremos sentir prazer?
    As pessoas tem que para de jugar e aprender a ser feliz. Somos serem humanos iremos errar ou acertar mas cada um tem que fazer as suas próprias escolhas. sejam felizes e transem com quem vocês quiserem sem se importar com a opinião alheia.

    orgulhosa de ser aluna do Evaristo.

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