AMAMOS UM AMOR QUE NÃO EXISTE …

Não amamos as pessoas. Amamos o que as pessoas podem nos dar existencialmente. O amor – mais que físico – é psicológico. Sofremos de perturbações que nem a ciência, a filosofia ou religião podem nos livrar – nem com suas doutrinas e nem com seus medicamentos. Nesse contexto, amar acaba sendo o nosso último suspiro. Amamos enquanto nutrimos no outro alguma esperança de que ele possa nos dar isso que não temos e que nos é insuportável. Amamos não o que temos, mas o que não temos: amamos a falta. Damos ao outro o que não temos para que ele continue nos amando na fantasia de que possuímos. O que nutre o amor é uma idealização. O que nutre o amor é um poder que o amor não possui. O amor é uma ilusão. Isso vale para o amor entre pais e filhos, para o amor entre amigos, para o amor religioso e para o amor pelas artes. O depressivo está no limite da verdade do amor. A ficha está prestes a cair para o angustiado. O ansioso está quase se dando conta e o suicida resolveu desistiu de buscar.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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