POR QUE ESTAMOS – POLITICAMENTE – PARALISADOS?

Freud dizia que todo doente histérico, sofreu, durante a sua infância, uma experiência traumática. Segundo ele, apanhada desprevenida, a criança fora vítima impotente de uma violência. A força dessa agressão residia na irrupção intempestiva, na criança, de uma emoção excessiva, que a inundava e da qual, ela, um ser imaturo, ficava petrificada e sem voz; não tinha tempo de compreender o que lhe havia acontecido e nem de experimentar a angústia que lhe seria própria se tomasse consciência de uma emoção tão brutal. Penso que estamos, nesse momento, no Brasil, como esta criança freudiana do final do século dezenove. Tudo parece tão absurdo que, nenhum dos elementos psíquicos que possuímos, estão sendo suficientes para elaborarmos tantos disparates. Uma alternativa, é recuperarmos a técnica freudiana utilizada, nessa clínica, para retomarmos alguma reação a esse trauma tão paralisante. Freud fazia com que suas histéricas rememorassem – em detalhes – a lembrança do trauma, para que, desse modo, ele adentrasse na consciência e pudesse ser elaborado. Nesse sentido, a atitude do professor da Universidade de Brasília, de criar uma disciplina sobre o golpe, é de fundamental importância, no sentido de permitir que tomemos distância dessa pataquada toda e a analisemos – calmamente – para, só assim, definirmos quais estratégias tomar. Que venha mais disciplinas, seminários e debates. Não podemos parar de falar sobre o Golpe.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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