O QUE É UM POBRE DE DIREITA?

É mais que evidente que quanto menor a desigualdade, menor a violência social. Na atualidade, parece evidente que os muito ricos preferem a violência a terem que concordar com o dinheiro público para as políticas de transferência de renda. Ocorre que esses muito ricos, quase não sofrem com essa violência – uma vez que vivem protegidos pela policia e em seus carros blindados e condomínios fechados. O pior da violência acaba ficando mesmo para os pobres e os muito pobres. Ninguém resolve – a curto prazo – a violência com distribuição de renda e educação – especialmente em um país com dimensões continentais como o nosso. Por isso mesmo, a tendência dos pobres e dos muito pobres é concordar com as mesmas medidas de combate à violência propaladas pelos muito ricos. Os pobres – que mais são assaltados – tendem a buscar soluções para a violência que só facilitariam as coisas para quem ocupa a parte superior da pirâmide social. De modo geral, os partidos políticos, mais à esquerda, tendem a questionar a concentração da riqueza como uma forma de combate à violência. Já, os partidos, mais à direita, tendem a achar que pobre é pobre porque é vagabundo e que bandido bom é bandido morto. Os muitos ricos – para não abrirem mão de suas riquezas – propagam que a melhor solução para a violência é dizimar os bandidos que, antes de serem bandidos, são pobres ou miseráveis. Nessa perspectiva, os pobres trabalhadores, afetados por uma violência da qual não têm qualquer culpa, tendem a concordar com as medidas fascistas da extrema-direita de combate ao caos social. Infelizmente, todo mundo precisa sobrevier. Em uma sociedade com uma educação de má qualidade e de muito desemprego como a nossa, nem todos conseguem sobreviver com dignidade. Infelizmente, os pobres acabam virando a presa mais fácil para a violência desses desempregados. É nesse contexto, que os muito ricos acabam lavando as mãos com a violência social, usando os poucos pobres – que sobraram da desigualdade social – para elegerem seus políticos com propostas absurdas de combate à violência e que – em nenhum momento – questionarão a relação entre miséria social e concentração da riqueza.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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