MÃES NÃO DEVERIAM AMAR TANTO SEUS FILHOS …

Filhos não deveriam amar demais seus pais. Pais não deveriam amar demais seus filhos.

O amor seria bom se só fosse amor. Mas, não é. O amor não é só lindo. Quem dera!

O amor pode ser – também – o contrário do amor. O amor pode ser – também – pânico de perder.

O amor pode ser agressivo: Édipo não assassinou seu pai para ficar com sua mãe?

Não adianta dizer que não podemos pensar o pior quando amamos: negar já é pensar.

Pais não apenas amam seus filhos. Por amor, podem confundir amar com superproteção.

Não é amor impedir permitir o outro de ser por si: é desprezo. Quantos não se odeiam por amor?!

É porque amamos UM que odiamos tudo que pode colocar em risco este nosso amor por este UM.

Deveríamos amar a possibilidade de não sermos amados: não amamos.

A questão são os riscos que temos de perder esse UM.

Olhamos só o amor e esquecemos de todas as angústias e ansiedades que atravessam este mesmo amor.

Queremos só amar. Doce ilusão!

Não deveríamos amar tanto nossos filhos.

Tudo quando é demais, revela seu lado perturbador.

Deve existir um outro jeito de amar sem essa aura nebulosa de ausência de garantia de que poderemos não ter esse amor daqui a pouco.

Não é questão de ser pessimista: é a realidade da vida.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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