MÃES NÃO DEVERIAM AMAR TANTO SEUS FILHOS …

Filhos não deveriam amar demais suas mães. Mães não deveriam amar tanto seus filhos. O amor seria bom se só fosse amor. Não é. O amor não é só lindo. Quem dera! O amor pode ser – também – ódio. O amor pode ser – também – pânico de perder. O amor pode ser violento: Édipo matou seu pai para ficar com sua mãe. Não adianta dizer que não pensamos no pior quando amamos. Dizer que não pensa, já é pensar. Mães não apenas amam seus filhos. Por amor, as mães podem confundir amar com posse e com superproteção. Não permitir ao outro ser, não é amor, e sim, ódio. Porque amamos, odiamos. Amamos UM, mas odiamos tudo o mais que pode colocar em risco esse nosso amor por UM. E não são poucos os riscos e as certezas de perder esse UM. Olhamos só o amor e esquecemos de todas as angústias e ansiedades que atravessam esse mesmo amor. Queremos aprender só a amar. Temos pânico da escola do medo de perder nossos amores. Não deveríamos amar nossos filhos. Todo amor tem seu lado desesperador. Deve existir um outro jeito de amar – sem essa nebulosa aura da ausência de garantia de que estaremos – novamente – com esse amor daqui a pouco. Não é questão de ser negativo: é a vida.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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