TODO AMOR É – NO FUNDO – UMA GRANDE MENTIRA…

No fundo, somos completos: fizeram-nos incompletos. Somos socialmente usados para o amor, quando, na verdade, a intenção é outra. A civilização usa a ilusão do amor porque, de outro modo, ela poderia ir à bancarrota. Não há dúvida de que nos damos ao outro por uma questão de manutenção da sociedade. Nesse sentido, ninguém é feio ou bonito. O meio nos obriga à feiura para que perpetuemos um tipo de amor baseado no princípio de que deve existir alguém que pode nos dar o que não temos. Foi através de uma mentira que a humanidade inventou a família. Na verdade, a sociedade inventou a ilusão do amor apenas para garantir a reprodução de si. Esse amor que a cultura diz existir, nunca existiu para ninguém. Somos manipulados para o amor. Só amo no outro o que não tenho: não há amor de outro jeito. Disseram-nos que se amarmos poderemos conseguir o que não temos. Mentira! É contraditório associar amor com felicidade. A felicidade é – na verdade – o fim do amor: deixo de amar quando consigo o que alimentava o meu amor. No fundo, ninguém ama. As pessoas se suportam porque temem serem discriminadas. Amor é sinônimo de violência. Não há amor sem briga. Não há amor sem cobranças. Não há amor sem mentiras. Não há amor sem falta: se for de outro modo, não é amor. Não seremos – de fato- felizes enquanto não encontrarmos outros motivos para estar com alguém, que não esse ridículo de buscar compensar no outro o que falta em nós mesmos.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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