O BRASIL ENLOUQUECEU?

Freud, certa vez, viu uma criança brincando de jogar e puxar um carretel debaixo de uma cama. Daí, ele deduziu a estrutura da personalidade neurótica: vivemos de ausência e de presença. No Brasil, nesse momento, parece que só lançamos o carretel. Ele não volta. Perdemos a presença. Somos pura ausência. Parece que só sabemos jogar e despedir. Antes tínhamos uma questão. Agora, estamos certos da resposta. Antes, acreditávamos no jogo. Agora, estamos certos de que as cartas já estão dadas. Estamos completamente melancólicos. Fomos e não sabemos como voltar. Antes, experimentávamos o vazio e sabíamos que fazer com ele. Antes, quando perdíamos, sabíamos como recomeçar. Antes, puxávamos e alguma coisa retornava. Agora, não há o que puxar. Estamos – politicamente – esquizofrenizados. Não sabemos como trazer o carretel de volta. Só sabemos dar adeus. O carretel sumiu, evaporou. A sensação é do mais absurdo desamparo. Nenhuma panela soa. Nenhum grito explode. Enquanto isso, um juiz autoriza o desfile de um bloco que faz apologia ao fascismo. Enquanto isso, votos são comprados contra toda investigação. Enquanto isso, a Amazônia é surrupiada pelos grandes latifundiários. Esse é o carretel que está voltando. É assustador. Esse é o carretel que deveria ir e ficar. Invertemos tudo. Estamos – completamente – atônitos diante do nada. É desesperador.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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