NINGUÉM É TUDO PARA MIM ….

Temos mania de colocar as pessoas em um patamar diferente das coisas e de nós mesmos. Acho engraçado alguém dizer: eu não vivo sem você ou você é tudo para mim. As pessoas não podem ser melhores e nem piores que nada para a nossa solidão. Não posso colocar isso ou aquilo como condição da minha felicidade. Tudo precisa estar no mesmo patamar para a minha alegria de viver. As pessoas não são nossas. Não tenho ninguém. Ainda que eu esteja amando, o outro não deixa de ser livre por isso. Não sou o maior amor de ninguém. Aliás, não existe amor maior. Portanto, a possibilidade de não ser amado, só existe para quem ama. Por isso, não posso colocar meu prazer na condição de uma só coisa. Não posso focar todo o meu prazer por alguém. Preciso ser – também – meu prazer para mim mesmo. Não posso esvaziar, por ninguém, meu amor por meus amigos, minha casa, meus livros e meus discos. Preciso manter meu amor bem espalhado para que eu consiga suprir a falta repentina de qualquer amor. Quando sofremos por amor, tendemos a culpar o outro que se foi. Isso não existe! O mundo não é só composto de gente. Há outros amores. Precisamos ampliar nossos amores. Caso contrário, angustiaremos com as ausências ou sufocaremos, quem amamos, com nossas loucuras de exclusividade.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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