COLOCANDO O DEDO NA FERIDA DOS MACHÕES ..

Nunca achei que a anatomia fosse o destino na definição de gênero. Muito menos concordei, alguma vez, que o jeito de ser fosse o determinante da orientação sexual. Não gosto dessa história de quem é ativo e passivo na relação. Tenho um tanto de amigos que gostam de mulher e possuem o estereótipo total do macho. São musculosos, falam grosso, tomam cerveja, fumam, são barbudos e só convivem com seus pares. No entanto, nas relações com suas mulheres, atuam completamente dentro do estereótipo do passivo. Ou seja, não se impõem, não têm iniciativa, não conversam de igual para igual, são submissos e são incapazes de tomarem decisões sozinhos. São homens fortes apenas na aparência, porém, fracos quanto ao desempenho. Muitos são acomodados e pouco ambiciosos. Muitos preferem não crescer e fazem tudo o que a companheira determina: parece que gostam da condição de submissos. Conheço vários que sequer são ciumentos. Conhecidas já queixaram comigo de terem que ficar tomando iniciativa para tudo na hora da transa. Muitas reclamam que eles só funcionam se forem provocados. E curiosamente – mesmo quando provocados – muitos não desenvolvem: o beijo é frio e seco e o sexo é do tipo papai e mamãe. São másculos, mas pouco criativos e pouco proativos: falta pegada, domínio, força, desejo, fantasia e vontade. Portanto, o ativo, no meu entendimento, não passa pela anatomia e muito menos por trejeitos. Não basta ter boa aparência, ser musculoso, bem dotado e bem sucedido, porém, sem criatividade na hora que mais importa. Para tudo funcionar bem, é importante comparecer seguro na relação. Isso vale tanto para homens quanto para mulheres. Ou seja, ser inventivo não depende de gênero e nem de orientação sexual. Tenho amigas femininas e muito masculinas na vida. Tenho amigos gays e muito machos na vida. Ser seguro de si, ter vontade, impulso e presença, é fundamental para que qualquer relação seja bem sucedida. É complicado compartilhar o cotidiano com pessoas psicologicamente fracas, indecisas, dependentes e com pouco domínio de si. É chato conviver com parceiros mais parecendo filhinhos que nunca saíram da barra da saia de suas mamãezinhas. Bom é o encontro de dois ou mais com uma boa pegada na hora do vamos ver – e em todos os outros aspectos da vida. Pronto falei!

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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