TEMOS QUE AMAR QUEM SOMOS, POR MAIS APAVORANTE QUE ISSO POSSA PARECER …

Recuse o amor que o outro te oferecer, porque não é isso que vai resolver seus problemas. O amor que você está procurando não pode ser comprado, nenhuma virilidade o supre e nenhuma beleza o mantém. O amor que você está procurando, não existe. Não amamos só porque a pessoa é bonita. Não amamos só porque o beijo é bom. Não amamos só porque a transa flui bem. Nada disso. Amamos, porque quando somos correspondidos, esquecemos de todos os nossos dilemas. O amor tem esse incrível poder terapêutico. A questão é que o amor faz esquecer, mas não faz desaparecer o que nos desespera. Vamos colocando um tanto de pessoas, objetos, ruídos, sonhos, doenças, medos e loucuras sobre isso que não suportamos. Cremos poder nos livrar disso. Doce ilusão! E se não colocássemos mais nada? E se mudássemos nosso olhar sobre isso que tanto nos apavora? Creio que amaríamos melhor. Não penso que brigamos apenas por um beijo bom ou por uma transa boa. Brigamos, porque fomos iludidos de que o amor é o melhor remédio para as nossas desavenças existenciais. Não é. Nada é. Daí, ou somos felizes no amor ou infelizes sem amor. É oito ou oitenta. É tudo ou nada. Eis a questão: o nada tem que ser tudo tanto quanto somos tudo quando amamos. O dia em que conseguirmos amar o amor só por amor, não precisaremos mais usar o amor como remédio para nossas questões existenciais. Temos que amar quem somos por mais apavorantes que isso possa parecer.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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