AMOR NÃO É SÓ O QUE ACONTECE NA CAMA …

Tendemos a escolher pela imagem. Interessamos pelo contorno do corpo, peso, altura, olhos, seios, cabelo, bunda e rosto.

Ocorre que amor não é só o físico. o que não vemos, o subentendido ou latente. E nesse quesito, não há beleza que resista.

Há homens que vão – felizes com a mulher mais gostosa da festa para o motel. Há mulheres que vão felizes para casa com o cara mais maravilhoso da academia. Isso basta não. Há outros constrangimentos. Coincidir na beleza pode não ser coincidência geral. Há cheiros, gostos, gestos, timbres e toques. Basta não bater um detalhe para tudo o mais degringolar. E não se trata de ser chato, estressado, exigente ou brocha. É algo que foge ao nosso controle. Não temos alternativa quando deparamos com um gosto estranho na boca. O que fazer com aqueles gestos e movimentos estereotipados? Como sentir tesão por caras e bocas? E quando é o cheiro da pessoa que não agrada? Pior é quando você espera independência e a pessoa responde com submissão ou quando você espera entrega e a pessoa responde se fazendo de difícil. Pior é quando tem que ouvir uma conversa que não te agrada. Pior é quando você faz de tudo e o orgasmo não acontece. Vira pesadelo o que era para ter sido uma bela noite de amor.

Não basta ser só bonitinho. Quem dera! O amor não é só o que se vê. Pode acontecer de não ir para frente por coisas que sequer sabemos verbalizar. Você pensa na pessoa e vem uma sensação ruim – como quando não sabemos explicar os motivos que nos levaram a não simpatizar com determinada pessoa. Não aconteceu nada de muito grave, mas você só sabe que não quer vê-la nunca mais na sua vida. O pior que tem gente que é assim com todo mundo: ninguém gosta. Não sei se encontraremos – algum dia – um amor livre de qualquer mal-estar. Não sei se existe alguma relação sem seus pequenos fantasminhas que vão e voltam do nada. Há quem não tolere.  Penso que hoje – pelo excesso de vaidade – ninguém está muito paciência para certas coisas. Os mais carentes – talvez sim – por problemas com a estima. Todos imaginamos a pessoa dos nossos sonhos. Se encontraremos, eis a questão. Enquanto isso vamos experimentando e sendo experimentados. Uma hora, vai que acontece. Enquanto não rola, ao menos gozamos – até que algo esquisito apareça. Ou vamos tentando, dando sinais e torcendo para o outro desconfiar – de alguma maneira – do quanto ele é – desnecessariamente – enjoadinho.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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