NÃO SEJA UMA PESSOA FRUSTRADA COM TUDO …

Inventaram a ideia disso mais bonito que aquilo. Criaram a ideia do feliz e do triste. Criamos o bonito desinfectado do feio. Inventamos uma felicidade asséptica da tristeza.

O feio virou um lixo a ser descartado. O triste virou um dejeto a ser eliminado. Estamos todos – compulsivos – atrás do que não sabemos ao certo onde encontrar. Estamos – todos – desesperados para provar – sem conseguir – que somos os mais bonitos e os mais felizes.

Enquanto isso, não enfrentamos o que – de fato – poderia amenizar essa nossa ansiedade louca por essa felicidade que nunca vem. Nossa felicidade está o tempo todo em algum lugar diferente do agora. Queremos forçar o mundo a funcionar de acordo com o que gostaríamos. Queremos fazer com que venha de qualquer jeito. Não desistimos de modo algum. Se não vem por aqui, tentamos por ali. Estamos o tempo todo achando que agora vem. Enquanto isso o tempo está passando. Começamos  pelo WhatsApp e quando chega no Instagram já está na hora de voltar para o Whatsapp de novo. Parece que acreditamos que a nossa felicidade brotará – como que por um milagre – de nossos aplicativos e redes sociais. Enquanto isso a vida real está passando com seus cheiros, cores, sons e gostos. De olhos vidrados no celular, perdemos as pessoas reais com seus movimentos, toques, olhares, contornos e dizeres. Quem disse que a felicidade é o quadro da Monalisa?

Quem disse que a felicidade não pode ser a superfície rugosa do muro que contorna o prédio do meu vizinho? O que é o belo? O que é o alegre? Quem disse que o feio não pode ser bonito? Quem disse que o triste não pode ser feliz?

Estamos destruindo o planeta tentando consumir uma felicidade que nunca existirá. Estamos perdendo o tempo de viver imaginando a imaginação da imaginação.

Estamos nos perdendo nosso entorno. Estamos rodeados de formas, barulhos, gostos, sabores e sensações.

Minha felicidade é a que tenho agora. Não devo desfazer de mim por outro de mim que nunca poderá vir a ser. Posso e devo buscar outra felicidade, mas não devo lutar infeliz. Não devo combater triste. Não seria melhor mais beleza para o que já é belo e mais felicidade para o que já é feliz?

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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