NÃO DEVORE O AMOR DE QUEM VOCÊ AMA

Ninguém deveria ficar sem trabalho. Ninguém deveria sem comer. É por isso que a sociologia é de fundamental importância. Os sociólogos nos dizem da distribuição injusta da riqueza. A sociologia nos chama para a política.

Portanto, a comida é da ordem da necessidade. Ninguém pode prescindir dela.

Já o amor, não é dessa mesma natureza. Quanto ao alimento, temos que ter certeza dele  – caso contrário – morreremos. Quanto ao amor – até gostaríamos – mas nunca teremos essa mesma certeza.

Não podemos trazer o amor para a ordem da necessidade.  Amamos, porém, incertos. O amor é pura impermanência. Não posso e ninguém pode querer ser o meu amor definitivo. Posso sempre encontrar amores mais amáveis que o meu e, quem está comigo, pode sempre encontrar amores mais amáveis que o meu.

O amor não é como o ar – que é insubstituível para a nossa sobrevivência. O ar não pode acabar nunca. O amor – sim – pode acabar. O outro pode se despedir para novos amores ou pode se despedir para nunca mais voltar. Não podemos necessitar de quem amamos da mesma forma que necessitamos do ar respiramos: é por isso que muitos morrem por amor.

Não posso abocanhar quem eu amo. Não posso devorar quem eu amo. Não posso coisificar o outro. A comida eu posso digerir e engolir. Quanto ao meu amor – ele só será meu – se ele quiser. O pior é que mesmo querendo – ele pode vir a deixar de querer.

O amor só é válido se for livre!

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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