MELHOR VIVER QUE PENSAR

Conhecer é experimentar e não pensar. Quanto mais penso, mais fujo de certas verdades da vida: as palavras não são as coisas, não existe o deus de deus, o conceito do conceito ou o outro do outro. No fundo, penso para não ter que experimentar certas coisas. Ocorre, que não tenho escolha, terei, querendo ou não, de enfrentar isso de que tanto fujo em minhas divagações. Se sou amado – sou feliz – é óbvio. No entanto, se sou desamado, desembesto a buscar explicações sem chegar a lugar nenhum. Não sabemos porque somos abandonados, porque existem pessoas mais amáveis que o amor que somos ou porque o outro é livre para escolher quem ele quer amar. Não adianta querer saber do amor. Na eminência da minha solidão, me seria muito mais rico viver a perda – uma vez que – certamente – ela virá outras vezes. Para as coisas impensáveis, pensar é um sintoma, um engodo ou uma fuga. Para as coisas impensáveis, a ignorância é a sabedoria. A experiência é a sabedoria. A sabedoria é um saber fazer com isso.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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