DE QUAL ANO NOVO ESTAMOS PRECISANDO?

Estamos precisando de um ANO NOVO que nos faça – realmente – nascer de novo. Não um ANO NOVO só de comida farta, ostentação, protocolos e exibicionismos. Estamos necessitando não de um ANO NOVO com a família reunida – mas ao mesmo tempo solitária porque toda conectada só nas redes sociais. Estamos necessitando de um ANO NOVO que nos faça renascer para as rodas de conversa, com boas gargalhadas – e sem hora para acabar. Estamos necessitando renascer para um ANO NOVO com menos álcool, com o volume do som não tão alto e com mais poesia nas letras das músicas. Parece que estamos festejando para recebermos o ANO NOVO só para mostrar o quanto parecemos felizes. Precisamos recuperar um ANO NOVO que nos faça nascer não mais para fazer por obrigação. Precisamos resgatar o ANO NOVO dos olhos nos olhos. Festejamos, porém ansiosos. Festejamos, porém impacientes. Festejamos, porém obrigados. Festejamos, porém infelizes. Precisamos renascer para um ANO NOVO alegre na chegada, na estada e na saída. Não um ANO NOVO louco para acabar a festa e sair correndo para fazer pegação na balada. Não estamos nos suportando – e quanto menos nos suportamos, mais insuportáveis ficamos. Alguém precisa suporta o insuportável para que ele se esgote e adquira outra conotação. Precisamos tolerar o chato até o limite de sua chatice – para que algo novo possa surgir. Se a dor do outro for só para chamar a atenção, dê atenção que ela passará. Não sabemos mais o que é fazer o ANO NOVO, porque perdemos o sentido do renascer. ANO NOVO não combina com arrogância. Aprendemos – sim – a renascer para o ter: todo mundo quer ter uma bela casa, um carrão, o último celular, o corpo todo esculpido e uma conta bancária bem gorda. Agora, estamos precisando reaprender a renascer para as pessoas. Não apenas para festejar, ostentar ou cumprir protocolos. Renascer para nos esvaziarmos dos nossos egoísmos. Renascer para a entrega e para o amor verdadeiro. Renascer para viver o menu da festa e voltar a ter aquela cara de felicidade na hora de repetir a sobremesa. Renascer para conversar, sem celular nas mãos e tendo a fala do outro como a coisa mais interessante do mundo. Renascer até para falar bobagem e sem constranger ninguém, é claro. Renascer para querer continuar junto no almoço do dia seguinte. Renascer para encontrar – sempre. Se a vida está triste, o ANO NOVO é a possibilidade de renascer para a alegria. ANO NOVO é para curar a solidão e a depressão e para resgatar a boa convivência, a amizade, a cumplicidade e a confidencialidade entre todos. ANO NOVO é para começar vida nova onde o outro é o mais importante de tudo. ANO NOVO é a possibilidade de mudar o jeito de olhar a vida e de se dar conta de que certas picuinhas em família não valem mesmo muito a pena. ANO NOVO é para definirmos novas prioridades e voltarmos a conversar sem amarras ou medos. ANO NOVO é para esquecermos o que estamos querendo e que nunca vem, para voltarmos a querer o que está a um palmo do nosso nariz e não estamos valorizando: o nosso próximo.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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