AMAR NÃO É TUDO NA VIDA

Freud teve uma paciente chamada Elizabeth que, para não enlouquecer diante das agruras da vida, desenvolveu uma paixão alucinante pelo marido de sua irmã. Esse caso é interessante, porque nos ajuda a entender o sentido do amor em nossas vidas. Ou seja: o amor é um sintoma. O sintoma funciona como um ponto de sustentação e de encobrimento do que nos seria insuportável se não fosse ele. Do mesmo modo que colocamos o amor no lugar da loucura, colocamos – também – as doenças psicossomáticas, as compulsões, as nossas angústias, depressões e ansiedades. É fato que levaríamos o amor menos a sério se o tomássemos como um sintoma. É muito bom saber o que o amor não é tudo. Na verdade, para as nossas mazelas existenciais, nada é tudo. O que vem depois dessa coisa, que se não fosse isso enlouqueceríamos, é tudo uma grande brincadeira. Viver é uma grande brincadeira. Fazer psicanálise é uma forma de tentar esquecer o inesquecível. Amar é uma forma de tentar confortar-se diante do inconfortável. Por isso brigamos: porque o amor não conforta. É muito bom saber que o amor nos foi dado só para ludibriar o medo de viver. É muito bom saber qual o lugar do amor em nossas vidas. Ter ciência do amor como sintoma, é preventivo da dor de iludir ao amar. Saber do amor como sintoma, é levar junto do amor isso que nenhum amor cura: vamos mais inteiros para o amor.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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