A VERDADE DA VIDA É A CAPACIDADE DE AMAR O NADA …

Somos competitivos: queremos ultrapassar e queremos chegar – de preferência – em primeiro lugar. Ocorre que carregamos um núcleo impossível de ser ultrapassado. Freud chamava de sintoma tudo o que inventamos para rasurar esse núcleo. Falamos porque tememos o silêncio. Trabalhamos por sobrevivência e por reconhecimento. Cantamos para exercitarmos a alegria de viver. Fazemos festa como garantia da nossa felicidade. Ou seja, estamos, o tempo todo, tentando ultrapassar esse nosso nó impossível de ser ultrapassado. Somos doentes da ilusão de tudo poder ser. Alguns filósofos insistiram no sentido positivo desse nem tudo que nunca é: podemos inventar quem somos. E se nada puder ser ser inventado? E se o nada já puder ser uma forma de invenção? Penso que o nada – é sim – a maior de todas as invenções – uma vez que o nada é tudo. Quem toma tudo como nada, toma o nada como tudo. Não sofre quem toma o nada como tudo – uma vez que o nada tudo contempla. Tudo cabe no nada. O nada não julga, não separa e não elimina. O nada é a vida. A vida que temos é equivocada porque é lógica e asséptica demais. Nossa vida quer ser só toda. Não aceitamos o que não podemos. Ninguém leva só a vitória para o púlpito. Ninguém é só belo, só vivo, só jovem, só poderoso e só rico. Na vida, não existe primeiro lugar.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s