O AMOR ACABOU? NÃO ADIANTA REVOLTAR

Diante da realidade, tudo nos chega primeiro pelos sentidos. Primeiro vemos a partida do outro. Vemos o buraco que ele nos deixou. Depois, desembestamos a pensar os motivos deste abandono. Nunca paramos no olhar: queremos dominar tudo com o pensar. Doce ilusão! O pensamento visa a negar a realidade da perda. Pensamos, para recuperar o objeto perdido. No limite do pensamento, revoltamos, agredimos ou deprimimos. Na pior das hipóteses, há aqueles que matam por amor. Ou seja, não sabemos apenas ver a realidade. Só cessamos de pensar, para viver, apenas quando a realidade está de acordo com o nosso desejo. O outro foi embora: porque não conseguimos olhar para isso com tranquilidade? Não aceitamos. Como não há muito o que pensar, partimos para a ação: telefonamos o tempo todo, corremos atrás e humilhamos. O ideal seria que déssemos contar de apenas ver – com serenidade – esse pensamento de abandono passando pela nossa mente. Não adianta questionar os motivos. Não adianta se culpar. Não adianta julgar a atitude do outro. Nada do que fizermos trará o outro de volta. Não é amor quando é forjado. Só é amor quando é livre. Se o outro partiu, não há muito o que podemos fazer. O ideal é exercitarmos fechar os olhos e tentar enxergar essa perda como algo que faz parte da vida: sem pânico e sem desespero. A vida é – também – composta de dores que só podem ser vistas sem serem questionadas. Temos que dar conta de ver sem sofrer – mesmo porque não temos outra alternativa.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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