O AMOR É UMA DOENÇA?

Damos o que temos para seduzir o outro para o que não temos. Fica tudo bem quando só  damos o que temos. O problema é quando damos com a intenção de querer o que não temos.

Amamos interessados no que o outro pode nos dar para o que não possuímos. Daí, vemos, ouvimos, sentimos e tocamos no outro só  o que desejamos dele para nós.

Porém, o que vemos, ouvimos, tocamos e sentimos não é tudo em alguém. Todo mundo é marcado por algo para além do que seus sentidos demonstram.

O olhar pode ser lindo. A fala pode ser inteligente. O corpo pode ser delicioso e os sentimentos os mais sinceros do mundo.

Na verdade, tudo isso é um grande jogo. Amamos pelo que não temos e que gostaríamos que o outro tivesse por nós.

Não chegamos com nossa verdade para amar. Só amamos movidos pelo que temos de mais mentiroso em nós. Queremos o outro para ser por nós o que não somos.

Qualquer relacionamento só dará certo na medida em que um for capaz de suportar o que um do outro não é.

É por isso que a verdade sempre volta. Amamos não o outro em sua totalidade. Inventamos um outro para amar como sendo a medida da nossa felicidade.

É por isso que brigamos por uma toalha molhada em cima da cama. A toalha é só um pretexto para dizer da minha raiva por eu não ter dado conta de enxergá-lo para além do que eu gostaria. Ou seja, o outro não vai me amar onde eu não me amo.

Só quero o outro para o que me falta  comigo. Se eu soubesse de mim, eu não me cobraria nele.

O que sustenta todo amor é uma doença. O meu problema vai muito além do outro que me acompanha. No entanto, cismo que posso ser salvo pelo  amor dele.

Amar não deixa de ser uma forma de covardia para consigo mesmo.

As pessoas não deveriam olhar entre si como se uma pudesse salvar a outra. Não deveríamos olhar para as pessoas e vorazes pela solução do nosso desespero.

Primeiro amar quem sou e quem não sou. Se amo quem não sou, nada me faltará.

Nesse contexto, faz algum sentido amar? Não faz sentido amar pelo que te falta. Deve haver outros sentidos para o amor que não esse amor de carência.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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