NÃO QUEIRA QUE SEU AMOR DÊ MUITO CERTO …

Tudo o que mais queremos na vida é ter prazer evitando o desprazer. Por isso amamos, trabalhamos, festejamos e viajamos. O problema é que quando amamos, só amamos. Ninguém trabalha com a hipótese de perder o emprego. Viajamos já pensando na próxima viagem. Ninguém quer que a festa acabe. É por querermos que tudo dê certo, que nada dá certo. Não existe alteridade. Há muitos outros depois do outro. Deve existir o pai do pai de deus. Há muitos modos de dizer. As palavras são infinitas. Quereremos que dê tudo certo, porque já sabemos que não dará certo. Queremos evitar um final que sabemos inevitável. Amamos o certo. Odiamos o incerto. Amamos o claro. Detestamos o escuro. Criamos o bonito para excluirmos o feio. Hierarquizamos tudo. Viramos guerreiros de uma felicidade que nunca existiu. Nossa vida virou um inferno. Inventamos a angústia para o incerto, o pânico para o escuro e o asco para o feio. Criamos um mundo de fantasmas para nós mesmos. Por isso bebemos além da conta, comemos demais e ficamos agressivos ou deprimidos. Só viveremos – realmente – bem quando reconhecermos a verdade desse outro de nós que não suportamos. Só teremos paz – de fato – quando desistirmos de fazer a guerra e aprendermos a negociar com essa nossa outra parte invencível. Só saberemos amar com leveza, quando não fizer a menor diferença, caso o outro resolva ir embora.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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