NINGUÉM É DE NINGUÉM

Quando amamos, se pudéssemos, faríamos desaparecer o tempo e o espaço. Sofremos porque nosso amor pode ir embora. Ninguém pode ser retirado do tempo e do espaço. Não temos este poder. Desesperamos porque nosso amor pode virar passado. Por estar no tempo, quem amamos pode mudar de amor. Melhor, quem amamos, muda de amor. Ninguém ama igual. O tempo modifica tudo. Não sabemos o que acontecerá. É certo que tudo seria igual se não fosse o tempo. Como não é, não podemos impedir a mudança do quer que seja. Nosso amor não depende apenas de nós mesmos. Há outras forças sobre o nosso amor. Desesperamos, porque nosso amor habita o espaço. Quem amamos pode movimentar, virar, olhar, imaginar, pensar, desejar e fantasiar. Ninguém pode ocupar todos os lugares de ninguém. O outro vai se despedir. Vai virar para o lado. Vai fechar a porta. O outro pode não voltar. Não podemos controlar ninguém. Não somos tudo de nada. Não podemos impedir quem quiser atravessar o caminho de quem amamos. Neste vai e vem, outros amores podem ser mais amáveis que o nosso. Não dominamos o espaço. Não dominamos o tempo. Somos livres no tempo. Somos livres no espaço. O outro é livre no tempo. O outro é livre no espaço. Quanto a isso não há nada que possamos fazer.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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