PSICANÁLISE E PREVENÇÃO AO SUICÍDIO

A ideia de estrutura é de fundamental importância para a psicanálise. Perguntar pela estrutura é o mesmo que perguntar pelo que sustenta o sujeito. Durante décadas, a psicanálise acreditou na palavra como base para esta sustentação. Acreditava-se no poder do indivíduo em elaborar e direcionar suas ações.

O psíquico era o falar – tanto que cabia ao analista o ofício de apenas escutar seus pacientes.

Hoje, ampliamos essa ideia de estrutura. É fato que o psíquico está em um grave processo de degradação.

Na falta do mental, como os sujeitos vêm se sustentando? No corpo.

Hoje, a estrutura é o corpo. Qual é o papel do analista nesse contexto? Escutar o corpo? Se ele quiser falar, sim.

Na falta da palavra, cabe ao analista acompanha esse corpo. Ele funciona como uma espécie de secretário – no sentido de não permitir que esse indivíduo/corpo se sucumba ao pior.

O indivíduo – na atualidade – não age pensando: ele só age. Ele não resolve seus dramas refletindo: ele os resolve atuando.

Atuando como? Ingerindo álcool e drogas, comendo e comprando compulsivamente, praticando sexo como um jogo de azar e relacionando de modo efêmero ou possessivo.

Na falta do psíquico, essa nova geração vem se expondo à todos os riscos possíveis e inimagináveis.

Cabe ao analista caminhar junto à esse indivíduo/corpo. Enquanto ele estiver indo ao seu encontro, é seguro que – ao menos – ele ainda continua vivo.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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