ENQUANTO A MORTE NÃO NOS CHEGA, TEMOS O MUNDO TODO ABERTO À NOSSA FRENTE

Viver não é isso ou aquilo. Viver é isso e aquilo.

Nunca estamos certos do amor de ninguém. Estamos jovens e ao mesmo tempo estamos envelhecendo. Estamos vivos e morrendo junto. O que queremos nunca vem conforme gostaríamos. Também não será como desejamos se mudarmos tudo.

Em tudo estamos entre dois ou mais. Não adianta querer só o sim. Em algum momento, o sim será também um não.

É nessa hora que precisamos nos reinventar. É para isso que somos razão e imaginação. A razão nos ajuda acreconhecer o que de sim tem o não. A imaginação enche o não de sim – que a realidade trará de volta como sendo não.

Assim seguimos: valorizando o que de sim tem o não, enchendo o não de sim e enfrentando o que da imaginação a realidade nega.

Estamos certos do amor? Nunca. Isto não significa que não podemos usufruir do amor que temos. Vamos envelhecer e vamos morrer? Sim. Isto não significa que não podemos usufruir de viver.

Inteiro jamais será. Porém, muito amor podemos fazer enquanto a incerteza de amar não bate à nossa porta. Temos o mundo todo à nossa frente enquanto a velhice e a morte não nos chegam em definitivo.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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