QUEM AMA É PORQUE NÃO SE AMA …

O amor que o outro quer de mim nunca é o mesmo amor que quero dele. As faltas não coincidem. É por isso que tendemos à possessividade: não queremos renunciar ao nosso amor pelo amor que o outro quer de nós.

Muitos não querem dar amor porque não querem se perder de seus amores próprios. Muitos só querem ficar na posição de receber amor. Daí, só amam escravizando seus amores.

Portanto, não existe a possibilidade de amar sem alguma cota de doação ao outro. O amor consta de duas ou mais faltas – com alteridades distintas. A regra para o meu gozo não é a mesma do gozo do outro.

Nesses tempos narcísicos demais, o amor corre o risco de desaparecer – uma vez que ninguém está disposto ao amor de ninguém. Parece que todo mundo só quer saber do amor por si.

O ideal é um ir alternando seu amor com o amor do outro. Não podemos é nunca gozar. Não podemos é só viver para satisfazer o gozo alheio.

Não podemos participar da festa sem comer – ao menos – uma fatia do bolo.

Ninguém é assim tão pior que não mereça alguma dedicação.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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