SOBRE A VIOLÊNCIA NO BRASIL

Tenho ficado muito assustado com a naturalidade com que as pessoas têm falado em matar as outras – especialmente aquelas consideradas as escórias da sociedade. Parece que ninguém mais se assusta com os dados alarmantes sobre a violência contra pobres, negros, mulheres e LGBTs. Não estamos apenas odiando, estamos atuando em nossos ódios. As pessoas repetem – sem qualquer questionamento – que bandido bom é bandido morto. Inventamos a palavra. Na falta da palavra, atuamos. Só a sociologia e a antropologia pode nos humanizar. Ao acessarmos essas ciências, adquirimos os argumentos necessários para começarmos a conversar sobre violência. Quanto mais sociologia e antropologia, mais civilidade. Ao cessarmos de conversar, caímos na barbárie. Temos que nos perguntar de qual bandido estamos nos referindo quando dizemos que bandido bom é bandido morto. Há bandidos em todos os extratos sociais. Estamos perdendo o controle quando silenciamos sobre matar como solução dos nossos problemas sociais. Não apenas os bandidos-pobres-negros estão sendo assassinados. Mulheres e LGBTs também o estão. Tudo isso – em algum momento – começou como uma simples fala. Como não conversamos sobre isso, a coisa foi para a realidade. Parece que agora não tem mais volta. Estamos diante de uma fascismo meio velado que, por cegueira, pode respingar em nós mesmos ou em pessoas que conhecemos e que queremos bem.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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