HOJE, O NORMAL É SER ANORMAL …

Como cada um vem se arranjando com o próprio existir?

Durante muito tempo, quem estava chegando, já encontrava o mundo mais ou menos pronto. Quem não se adaptava, era forçado a fazê-lo – ainda que sob a batuta da medicação ou da prisão.

Hoje, sabemos que nada disso funciona mais. Estamos tendo que tomar – o que antes era visto como psicopatologia – como um modo de o sujeito ser no mundo.

Nosso mundo está pouco tolerante. Ninguém quer muito protelar. Poucos dão conta das diferenças. Queremos é resolver – e pronto. Parece que só estamos interessados em pontos fixos.

Nessa cultura da radicalidade, muitos estão resolvendo por onde não deveriam. Quantos não sobrevivem fazendo-se de coitados? Quantos poliqueixosos? Quantos depressivos? Quantos em pânico?

Parece regra – hoje – se fazer existir não existindo. De fato, existir não é mesmo fácil – uma vez que temos que nos reinventar o tempo todo.

Podemos existir – e infelizes. Não podemos é existir felizes – e sem a infelicidade.

Nesse contexto – nós psicanalistas – estamos tendo que tomar o sofrimento como um modo de estruturação do sujeito. Estamos tendo que acolher – sem muitos questionamentos – a queixa, o desespero e a depressão. Viramos secretários dos que se dizem felizes por vias esquisitíssimas.

Não estar bem – hoje – tomou uma forma de vida. Não podemos é concordar que este modelo seja rompido – ainda que de forma abrupta – pela própria pessoa.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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