POR QUE NEGAMOS TANTO A SOLIDÃO SE NO FINAL TERMINAREMOS A SÓS?

Na solidão, procuramos conversas ao longe, barulhos e buzinas de automóveis para nos acalmar.

No entanto, tudo complica quando nos damos conta de que não temos essas conversas, que nenhum carro vai parar em nossa porta e nenhuma buzina é para chamar a nossa atenção.

Quantos agora não estão apenas sonhando em ter alguém para  conversar, rir e abraçar?

Fantasiamos, para suprir um vazio que não sabemos o que fazer com ele. Não sabemos viver no silêncio. Não suportamos o vácuo.

Por isso, precisamos de um barulho qualquer na ilusão de que estamos acompanhados.

E quando tudo do mundo não preenche esse nosso nada? Resta-nos cobrí-lo com nossos corpos, nossas dores, ansiedades e angústias.

Ocorre, que tudo termina em vazio. Parece que a vida não nos deixa escolha. Toda viagem acaba, o outro sempre se despede e há os que se vão para sempre.

A vida sempre nos obriga a olhar para esse nada.

Parece que vivemos para cobrir isso que não se cobre.

O fato é que não  sabemos olhar para a ausência com a mesma tranquilidade com que olhamos para a presença.

Por que negamos tanto a falta?

Não será porque já sabemos que terminaremos nela?
Evaristo Magalhães – Psicanalista

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