POR QUE FAZEMOS TANTA TEMPESTADE EM UM COPO D’ÁGUA?

Por que somos metafóricos e não literais? Por que – para nós – perder nunca é só perder?

Somos metafóricos para fugirmos das verdades da vida – que não têm duplo sentido. No fundo, pensamos para não admitir que chegará um momento em que não haverá mais o que pensar.

Queremos  terra firme. Queremos superar. Cremos poder eliminar.

Só sabemos lidar com o contraditório resolvendo a contradição. Por isso, nunca somos UM. Somos mil. Somos verborrágicos demais. Vivemos de blá-blá-blá.

No entanto, sofremos – exatamente – porque falamos. Quanto mais entendemos, parece, que menos entendemos – porque as palavras são sem fim. Não existe a palavra da palavra.

Cremos vencer a perda pelo entendimento da perda. Não sabemos ver a perda com literalidade. Não sabemos gostar dos opostos. Achamos que viver é uma coisa ou outra – e não uma coisa e outra.

Julgamo-nos fracassados se admitirmos nossas limitações. Só nos interessa a vitória. Tomamos como sendo fraqueza admitir os próprios limites.

Posso perder – e isso deveria significar apenas como sendo parte da vida. Devo me responsabilizar apenas quando tenho alguma culpa em minhas perdas. Fora isso, não adianta tentar entender.

Na vida, pode acontecer da cadeira ser só uma cadeira.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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