POR QUE FAZEMOS TANTA TEMPESTADE EM UM COPO D’ÁGUA?

Por que somos tão metafóricos e não literais? Por que – para nós – perder uma pessoa, nunca é só perder uma pessoa? Por que fazemos tanta tempestade em copo d’Água? Somos metafóricos para fugirmos da verdade da vida – que não tem duplo sentido. No fundo, viajamos tanto em tudo, para não admitirmos que chegará um momento em que não haverá o passo seguinte. Queremos – sempre – terra firme. Queremos superar. Cremos poder eliminar. Não sabemos lidar com o contraditório – sem querer resolver tal contradição. Por isso, nunca somos UM, somos dois, três, quatro, cinco … Somos verborrágicos demais. Vivemos de blá-blá-blá. Ocorre, que quanto mais falamos, mais sofremos. Quanto mais entendemos, parece, que menos entendemos – porque a palavra não tem fim. Não existe a palavra da palavra. Cremos vencer a perda pela compreensão da perda. Não sabemos ver a perda com literalidade. Não sabemos gostar da vida e do que não é vida. Achamos que viver é uma coisa ou outra: somos extremistas. Julgamo-nos fracassados se admitirmos nossas perdas. Só queremos ganhar. Admitir os próprios limites, não é fraqueza. Posso perder – e isso deveria significar apenas como sendo parte da vida. Devo me implicar, apenas quando tenho alguma culpa nisso. Fora isso, não adianta tentar entender. Na vida, pode acontecer da cadeira ser só uma cadeira. 
Evaristo Magalhães – Psicanalista

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