NÃO DEVERÍAMOS BUSCAR AS PESSOAS PELO QUE NÃO TEMOS EM NÓS MESMOS…

Precisamos das pessoas quando não temos a nós mesmos. Quando é que não me tenho? Quando tenho medo de mim. Quando não me tomo no que sou e no que não sou. Quando não sou, enlouqueço. Daí, preciso de alguém para aplacar a minha loucura. Desse modo, esse alguém não pode nunca sair – sob o risco de me expor ao que não suporto em mim. Por isso, tendo à possessão do outro. Curiosamente, tendo a achar que sou só no que gosto em mim. Tendo a me achar só naquilo que não me incomoda. Procuro alguém não pelo sou – nesse lugar, não preciso de ninguém porque me basto nele. Preciso de alguém onde não sou. Onde não sou, nunca serei. Onde não sou, ninguém será por mim. Tenho que dar conta de ser não sendo. O amor é muito agressivo quando quer dar ao outro o seu próprio fracasso. Ninguém pode resolver por mim o que sequer tem resolvido em si. Não posso ser para o outro ou buscar em alguém uma metade minha que não existe. Nosso amor é muito utilitário. Só sabemos amar usando ou sendo usado pelo outro. Não podemos amar alguém como sendo o objeto da nossa falta. Ele não conseguirá. Isso não acabará bem. Não podemos buscar nas pessoas o que não somos. Deve existir um outro sentido para os nossos encontros amorosos…
Evaristo Magalhães – Psicanalista

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s