POR QUE AS PESSOAS ESTÃO SURTANDO NAS REDES SOCIAIS?

Ao nascermos necessitamos da presença de duas funções: a materna e a paterna. A função materna – que não precisa ser uma mulher – é necessária até uma certa idade. Esta função, ao ultrapassar o momento infantil, torna-se prejudicial para o nosso amadurecimento psíquico. A função materna diz de um amor incondicional. Esse amor inscreve no psiquismo do bebê que ele pode tudo. A função paterna precisa fazer um corte nessa relação. O pai castra o filho da mãe, marcando que ele terá que buscar outra mulher para ocupar esse lugar. O problema é que o filho jamais encontrará – uma vez que mãe só há uma. É aí que o filho descobre a lei: não é mais possível viver tudo. O pai é a prova disso – porque deu conta de sobreviver sem a sua mamãezinha querida. Na verdade, o pai só está repetindo com o filho o que ele viveu com seu próprio pai. O pai, nesse caso, representa a lei, os costumes e os preceitos. Ou seja, não temos outra alternativa: para nos tornarmos humanos temos que negociar nossos desejos com o meio. Para entendermos os motivos que estão levando tantas pessoas à loucura, é preciso levar em conta, em que medida, a sociedade de consumo e as redes sócias vêm ocupando o lugar desse amor incondicional da mamãezinha. O apelo ao consumo traz, o tempo todo, uma mensagem subliminar de que, tendo o produto tal, seremos o máximo em todos os sentidos. A sensação é a de que podemos tudo utilizando apenas as pontas dos nossos dedos em nossos aparelhos celulares. É certo que as redes estão aí para nos servir. Porém, muitas pessoas, escondidas por detrás de uma tela, estão se sentindo muito à vontade para xingar e ameaçar quem quiserem – e com a sensação de que não estão sendo vistas por ninguém. Isso é a própria sociopatia legalizada. Na vida real é complicado agredir. O olhar do outro, representando a lei paterna, coíbe, de certo modo, estes nossos impulsos agressivos. Ocorre que nossos jovens quase só estão vivendo de mundo virtual. Isso é muito complicado. Só nos tornamos humanos na convivência. É pelo olhar do outro que aprendemos que a liberdade de um termina onde começa a liberdade do outro. A questão é que parece que nossos adultos – também – não estão muito dispostos a lidar com as frustrações que seus filhos lhes impõem. O trabalho de negociar – e todo mundo ceder um pouco – está sendo substituído pelo dar tudo o que outro quer. A sensação é de que não são só os filhos que estão perdidos. A sensação é a de que todos nós estamos perdidos.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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