ISSO QUE SE VÊ POR AÍ NÃO É FELICIDADE…

Temos mania de tudo querer preencher. Não suportamos um espaço vazio em casa, no armário ou na geladeira. Não suportamos esquecer – sequer – o nome de uma pessoa ou de um lugar que gostamos muito. Adoramos uma agenda movimentada. Incomodamos, quando não chega nada pelo nosso zap. Não conseguimos ter vida psíquica no vazio. Para não entrarmos em desespero, precisamos, o tempo todo, tocar, ver alguma coisa ou falar com alguém. Não suportamos a experiência de descansar psíquicamente. Não sabemos como sobreviver emocionalmente no vazio. Só sabemos preencher nossas solidão com dor e pânico. Julgamos como depressivas as pessoas que desistem de conviver com as coisas e com os outros. Achamos meio malucas as pessoas que optam por viverem como se fossem eremitas. Não sabemos experimentar acalmar nossa mente. Tomamos o esvaziar mental como uma espécie de debilidade mental. Logo encaminhamos para o psiquiatra aquela pessoa que opta por ficar mais quieta nos cantos. Quem disse que os solitários são melancólicos? Nós é que somos melancólicos, porque somos oito ou oitenta. Temos tanto pavor da solidão que entendemos que quanto mais frenéticos formos, menos solitários seremos. Tanto frenesi, no fundo, não é para suprir o vazio de existir, mas para ir de encontro a ele. Somos, no mundo, o pais campeão no consumo de ansiolíticos e antidepressivos. Na verdade, aqueles que são mentalmente mais quietos, aprenderam a valorizar os seus silêncios. Essas pessoas descobriram a inutilidade de pensar e de ter certas coisas. Esses nossos sábios do nada encontraram algum sentido no silêncio que não o medo da solidão e da morte. Nós é que continuamos obcecados na nossa ilusão de que ser feliz é ter um amontoado de coisas e de pessoas inúteis ao nosso redor. A felicidade é a capacidade de lidar com a solidão sem pânico. Talvez isto nos ajude a entender porque somos ainda tão tristes. Como ainda não conquistamos essa habilidade, ao que indica, somos depressivos, porque usamos os outros e somos também usados por eles para preencher os seus e os nossos vazios. No fundo, isso que vemos por aí festejando loucamente, não é felicidade, e sim, desespero por desconhecimento da verdadeira felicidade. 
Evaristo Magalhães – Psicanalista

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