VOCÊ JÁ FOI OLHADO COM MUITO TESÃO?

Olhamos com diferentes intenções. Porém, nada se compara quando somos olhados com aquele olhar inflado e pulsante como se quisesse nos sugar por inteiro.

É uma delicia esse momento voyeur da sedução.

Há olhares constrangedores e agressivos porque dizem só querer a superfície – e nada mais que isso.

No entanto, há olhares que vão fundo. Dizem mais, despem invadem, estremecem, enxergam até as vísceras fazendo qualquer um subir pelas paredes.

É uma delicia quando o olhar solta aquele sorrisinho, abaixa a cabeça e olha de novo com a cabeça ainda meio para baixo.

É uma delicia quando o olhar nos segue – ainda que distante. Quando fica com um misto de saudade e de desejo.

É uma delícia essa comunicação sem palavras e sem toques porque é o corpo falando com suas emoções. É o tesão brilhando, o olho desnudando e captando cada detalhe. É olho tudo devorando, adivinhando coisas, abrindo poros, arrepiando, tremendo e salivando.

O tesão é imprevisível porque independe do tempo e do espaço. Ele circula sutilmente nas ruas, igrejas e festas.

Não importa se é triste ou feio. Não importa o compromisso ou a conta bancária porque não obedece a razão e não tem conotação moral. É outro registro.

O tesão é de quem o sente.

Poucos sabem fazer bom uso disso.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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