AINDA NÃO SABEMOS O QUE FAZER COM NOSSAS PERDAS…

Algo se repete na relação que temos com as pessoas que amamos. Quem eu amo não está colado em mim – era assim que eu gostaria que fosse. As pessoas não são coisas. É certo que meus pais serão sempre meus pais. Meus filhos, também. Meus irmãos não podem me tirar suas irmandades. Contudo, a vida não é só vínculo sanguíneo ou exercício de vontade. Existe algo ainda mais forte para além de mim, dos meus pais, dos meus filhos, dos meus irmãos e dos meus amores. Algo ainda mais verdadeiro que a paternidade, a maternidade, a irmandade e as juras de amor deles por mim e de mim por eles. Mesmo com todas essas forças, podemos perder quem tanto amamos a qualquer momento. Se isso não acontecer durante, é certo que acontecerá no final. Há algo que não se desgruda de nós. Algo que teremos que sucumbir – querendo ou não. Um silêncio paira no ar. Um vazio ronda o meu sentimento e o sentimento dos outros por mim. Por termos consciência e não sabermos o que fazer, desembestamos a querer decifrar isso. Por ser indecifrável, ficamos ansiosos, depressivos ou agressivos. A ansiedade é, no fundo, uma tentativa frustrada de querer decifrar o indecifrável que acaba em angústia. Pena que, pela nossa arrogância, sempre recomeçaremos o ciclo. Ainda não sabemos o que fazer com o que não podemos…
Evaristo Magalhães – Psicanalista

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