POR QUE NUNCA ESTAMOS – DE FATO – FELIZES?

Aprendemos que temos sempre que colocar uma coisa no lugar de outra. Aprendemos que viver é superação. Se estamos depressivos, temos que buscar as causas dessa depressão. Se perdemos um grande amor, temos que assumir nossa parcela de culpa nessa perda. Se morre alguém que nos é muito querido, temos que superar esse luto. Nessa perspectiva, parece que nunca estamos – de fato – felizes, uma vez que a vida não é feita de um único problema, mas de inúmeros problemas. Na verdade, nunca estamos bem com esse nosso lado meio obscuro da vida. Vivemos de combater – como se viver fosse um constante embate entre a alegria e a dor, de tal modo que uma precisa sair derrotada e a outra precisa sair vitoriosa. Ocorre, que não nascemos tristes. Sofrer por amor não é genético. Alegria e tristeza são uma invenção da cultura. Deve haver intenções escusas por detrás desse absurdo. Os animais não sofrem por amor. Melhor: os animais sequer sabem amar – ao menos como os humanos amam. É certo que não existe remédio para a tristeza e nem cirurgia para as dores da vida. Existe saída? Sim. Se sofrer é uma invenção racional, é possível que exista alguma técnica que nos faça abstrair desse pensamento e nos faça enxergar a vida com um pouco mais de leveza. Se a dor advém do pensamento, não seria possível nos livrarmos da ideia de sofrer? A felicidade não seria – talvez – menos uma questão de lógica e mais uma questão de suspensão da razão de sofrer?
Evaristo Magalhães – Psicanalista

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s