O QUE TENHO FEITO PARA NÃO ENLOUQUECER DIANTE DESSE MUNDO LOUCO?

Parece que tudo – atualmente – conspira contra o que entendemos como sendo o melhor para uma boa convivência social e para os nossos sonhos de um mundo melhor para todos.

À cada minuto somos bombardeados com notícias detonando – ainda mais – com a justiça, com a democracia e com o respeito pelas diferenças.

Parece que tudo o que tínhamos como norte está vindo à baixo.

Como sobreviver em um mundo sem ideais? Como não enlouquecer em um mundo que parece perdido em suas razões?

Quando nossos projetos de sociedade esvaem-se e quando nossos sonhos são jogados por terra, só nos resta – para não surtarmos – focarmos em nossos prazeres mais cotidianos. É o que tenho feito.

Estamos – completamente – desorientados quanto as teorias e os sonhos que nutríamos, até bem pouco tempo, de um mundo melhor.

Contudo, a vida ordinária sempre nos surpreende. Quando as coisas maiores se perdem, só nos resta nos apegarmos às coisas – ditas – menores da vida.

Tenho tentado encontrar alguma alegria de viver na imprevisibilidade do cotidiano.

Tenho valorizado – sobremaneira – aquele colega que me para no corredor do trabalho e me conta uma coisa engraçada que aconteceu com ele no último final de semana.

Não abro mão de abrir uma brecha qualquer do meu dia para sentar e tomar um café com aquele meu amigo que há tempos não encontro.

Não abro mão de verificar a programação de teatro, cinema e shows da cidade, esperando encontrar qualquer coisa que me propicie pensar sobre mim e sobre esse mundo louco a que estou submerso.

Não rejeito convites para jogar um buraco, tomar um bom vinho, conversar, ouvir uma boa música, fumar meu charuto e contar piadas na casa de campo de um amigo querido.

Ainda tenho meus livros, meus discos e as comidas que adoro saborear.

Ainda não nos tiraram tudo. Somos plásticos. Ao retornarmos para o cotidiano, estamos apenas adquirindo forças para retomarmos nossa luta em um plano maior. Estamos gozando aqui, para depois reiniciarmos nossa luta pelo direito a um mundo em que todos possam gozar melhor – e do que quiserem. É só uma questão de tempo.

Evaristo Magalhães – Psicanalista

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