ESTAMOS PERDENDO QUEM AMAMOS ENQUANTO AMAMOS…

Tenho discutido com uma certa tendência filosófica e científica – sobremaneira presente no ocidente – que enxerga a vida como uma contradição passível de ser resolvida. Não acredito na ideia de que buscamos a completude porque somos faltosos. Tenho certa preguiça de quem propala que viver é superar a dor de viver. A vida não é isto ou aquilo. A vida é isto e aquilo. A vida não é ser ou não-ser. A vida é ser e não-ser. O vaso não preenche o vazio. O vaso participa de um grande vazio. Por estarmos vivos, não significa que não estejamos – também – mortos. Estamos morrendo enquanto vivemos. Nunca teremos – plenamente – nossos amores. Estamos perdendo quem amamos enquanto amamos. A vida não é uma contradição a ser resolvida. A vida é contraditória. O que somos tem a mesma alteridade do que não somos. A possibilidade de perder não desgruda da nossa ilusão de possuir. Jamais seremos – plenamente – felizes enquanto não lidarmos com a ausência com a mesma tranquilidade que lidamos com a presença. É provável que eliminaremos todas as nossas angústias, no dia em que olharmos para o que nos amedronta como algo tão natural quanto o que nos deixa – totalmente – seguros.
Evaristo Magalhães Psicanalista

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